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BEIRUTE: A NOVA VELHA PARIS DO ORIENTE

Vicente Frare Vicente Frare 31 janeiro, 2017
Libanon Cover (1)

Uma viagem para o Líbano é uma volta às raízes para muitos brasileiros que têm ascendência árabe. Assim como Portugal e Itália, os sobrenomes dos libaneses, muitas vezes estampados em nomes de empresas, panificadoras, restaurantes e propaganda política, indicam a grande intimidade entre o Brasil e o país levantino. Beirute, a capital, é uma cidade incrível, que não deixa o visitante indiferente. É difícil alguém não voltar de lá entusiasmado e apaixonado pela comida, pela beleza natural, pela diversidade e, principalmente, pelas pessoas.

Sou fã de cidades e Beirute é uma dessas metrópoles improváveis, que se pensarmos fria e racionalmente, não teria como ser tão mágica, afinal, já faz muito tempo que era considerada a Paris o Oriente. Os 15 anos de Guerra Civil, que acabou em 1990, as brigas internas, a última invasão israelense de 2006, o colapso do governo, as bombas e os refugiados sírios poderiam transformar o Líbano num verdadeiro inferno. Mas não é isso que acontece. Muito ao contrário, o que se vê em Beirute é uma cidade cheia de entusiasmo, de gente disposta a fazer e acontecer, de restaurantes incríveis, lojas maravilhosas, baladas noite adentro e um equilíbrio religioso e social muito tênue, mas que tem funcionado, pelo menos até agora. Por isso, o bom de uma viagem para lá é ir no ímpeto, aproveitando uma boa oferta de passagem, vendo que a situação está estável pelos próximos meses e pronto, embarca-se!

Se não falta vontade, mas o medo não colabora, saiba que a cidade é mais segura do que Rio, São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Não há assaltos a mão armada, drogados nas ruas e outros delitos com os quais estamos tão acostumados. O que acontece, de vez em quando, são atentados terroristas, mas são geralmente localizados em bairros afastados e o viajante de hoje em dia tem que estar acostumado com isso, afinal acontecem em Bruxelas, Paris, Madri, Londres e Bangkok. Não é preciso de visto no passaporte, o Uber funciona, assim como Google Maps. A moeda é estável, mas não precisa fazer câmbio pois dá para pagar tudo em dólar americano. Inclusive a conta nas lojas e restaurantes vêm em libras libanesas e dólares americanos. Como há várias empresas aéreas voando para Beirute, as passagens geralmente não passam dos US$ 900 do Brasil até lá. Então não tem mais desculpa para não ir.

Onde ir e o que fazer

Achrafiye e o Monte Li¦übano ao fundo

Achrafiye e o Monte Li¦übano ao fundo

Achrafiye e Mar Mikhael

São minhas regiões favoritas na cidade, e estão concentrados boa parte dos bons bares, cafés e restaurantes. São bairros residenciais, com uma mistura de casas antigas de arquitetura otomana, igrejas de todas as denominações, mercadinhos e muitas escadarias.

Um dos maiores exemplos é o Sursock Museum, com uma coleção de arte privada de artistas libaneses impressionante.

Sala Otomana no Sursock Museum

Sala Otomana no Sursock Museum

Rua Armênia

Às noites, de segunda a segunda, a Rua Armênia se enche de jovens dispostos a aproveitar a vida, a conversar com os amigos e a comer bem. Dos endereços mais interessantes (tem MUITA coisa), recomendo:

Para compras: tem a incrível livraria/revistaria Papercup e a galeria de arte Plan Bey.

Para comer: Tawlet, Baron, Memory Lane e Tavolina. O melhor café do bairro é no Kalei Coffee Co., se bem que o Urbanista, um pouco mais comercial, também é bom.

Rue Monot

Quem prefere endereços um pouco mais sofisticados, a dica é a região da Rue Monot, com o Hotel Albergo, o restaurante Liza (meu favorito no universo) e o famoso Al Falamanki (para fumar narguilé).

Downtown

Perto dali, depois de cruzar a Praça dos Mártires, com a imponente Mesquita Mohamed Al-Amin (que permite a entrada de não muçulmanos), fica Downtown, região reconstruída como antes da Guerra.

É um lugar bem bonito, mas por causa da instabilidade do governo, está cercado pelo exército, então boa parte das lojas e cafés migraram para o shopping Beirut Souks e Saifi Art Village. Um deles é o Meat the Fish, um dos mais badalados restaurantes de frutos do mar de Beirute. Nessa região, Beirute é quase uma mini-Dubai, com torres de vidro, largas avenidas, hotéis de luxo e iates ancorados em Zaitunay Bay.

Centro de Beirute

O centro de Beirute até 1975 era Hamra, onde ficavam os teatros, bancos, escritórios e beach clubs. Até hoje é uma região animada e variada, mas com um leve toque Oriental, com mais senhoras de véu na cabeça e bares de narguilé. O Salon Beyrouth é um bar de jazz incrível e o Metro al Madina um cabaré com ótimos shows de música e dança. A loja Orient 499 é para quem ama decoração e o Barbar é onde todo mundo de Beirute se encontra madrugada adentro para um manakeesh assado na hora.

Footing pelo Mediterrâneo

Ao final da rua principal fica a Corniche, onde os católicos, maronitas, sunitas, xiitas, coptas, druzos e turistas do mundo todo fazem o footing ao longo do Mediterrâneo até chegarem a Raouché, onde ficam as famosas Pigeon Rocks, símbolo da cidade.

Pigeon Rocks

Pigeon Rocks

Beirute pode não ser a cidade mais bonita do Mediterrâneo. Certamente há muita coisa para melhorar. Ainda existem muitos edifícios sem dono, caindo aos pedaços. Há prédios bombardeados durante a Guerra Civil que são mantidos como memoriais. O trânsito é caótico e tem horas que cai a luz do bairro todo. Mas nada disso tira o charme, a vivacidade e a vontade da cidade de ser um lugar especial. Então, se você estava na dúvida, pronto, é hora de marcar a passagem! De preferência na primavera ou verão, que é quando boa parte da diáspora libanesa que mora em Los Angeles, Paris, Dubai, Buenos Aires e Abidjan volta para casa para aproveitar o que o Líbano tem de melhor.

Vicente Frare

Vicente Frare

Vicente queria ser turista profissional desde criança. Para isso foi aprender idiomas, fez amigos ao redor do mundo através de cartas, os "pen-friends", e, assim que pode, mudou-se para a Suíça para estudar Hotelaria e Turismo. Passou 13 anos vivendo na Europa, Estados Unidos e Oriente Médio onde trabalhou em hotéis, restaurantes, agências de viagem e companhias aéreas. Fala 6 idiomas e se vira em outros cinco. Tem uma mala sempre pronta e nunca diz não para uma viagem, seja para onde for. Já passou por mais de 80 países. De volta ao Brasil, publicou diversos guias de viagem pela sua editora Pulp e agora se dedica ao site TravelVince, com dicas de viagem de grandes cidades ao redor do planeta. Gosta de carimbos no passaporte, de CrossFit e de ver o dia amanhecer.

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