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ESQUEÇA SUAS VELHAS PROMESSAS DE ANO NOVO

Fabricio Greca Brun Fabricio Greca Brun 10 janeiro, 2017
esqueca suas promessas de ano novo

Para muitos, 1° de Janeiro marca um novo começo. Para outros, é só um dia arbitrário que o destino coloca em nossos calendários para nos lembrar de conquistar… alguma coisa. Nós somos encorajados a ficar mais magros, estar num relacionamento, encontrar um emprego, aprender a tocar um instrumento e escalar o Everest, ou seja, realizar qualquer coisa antes que 360 dias passem e o Dia do Julgamento Final chegue de novo. Mas será que precisamos disto para nos redescobrirmos? Ou devemos ver nossas vidas como algo que se desdobra organicamente sem promessas e ultimatos?

As resoluções tem um começo e fim – um objetivo a ser alcançado, um obstáculo a ser percorrido ou uma pessoa a ser conquistada. Um estado preto e branco de ser, que não nos deixa enxergar outras cores em nossa volta. Minha energia gasta perseguindo promessas de curto prazo impedem a capacidade da vida ter aquele toque mágico de improvisos e encontros.

Mas quem nunca fez uma promessa de fim de ano meio bêbado de espumante enquanto comia romã? Depois de um estudo nem um pouco científico, resolvi destacar as mais clichês que eu ouvi e li no meu feed de notícias!

  1. “Vou cortar o álcool por 30 dias…” (… para se tornar um ermita que depois enche o caneco em cada festa que vai!)
  2. “Vou emagrecer 10kg cortando carboidratos, glúten e carne vermelha…” (… e perder todos os jantares com amigos para ficar em casa comendo Doritos!)
  3. “Vou ganhar mais dinheiro…” (trabalhando mais que o maquiador da Regina Casé e deixando de aproveitar as saídas do fim de semana!)

Acredito que a vida não é uma série de começos e fins, é uma evolução onde os dias e anos se desenrolam um ao outro. As melhores coisas não são medidas em incrementos quantitativos, mas sim pelos sorrisos em nossos rostos. Nós estamos constantemente crescendo e mudando, assim como as pessoas e coisas ao nosso redor, fazendo nossos sorrisos irem, virem e por sorte, ficarem.

Esses dias fiquei sentado na praia vendo surfistas e tive um insight: surfar é uma anti-promessa. Não interessa o quanto você queira pegar uma onda na próxima hora. Os deuses do timing irão rir de você. É necessário paciência para ler as ondas, achar uma perfeita e esperá-la se formar. E mesmo se ela parecer certa e você nade com seu corpo de pilates, é possível que você ainda tome uma bela vaca. Surfar, assim como um relacionamento, não é algo determinado. É sobre atirar-se em águas selvagens, abraçar o inesperado e ousar ser vulnerável. Trata-se de deixar o controle ir, e ceder o poder ao mar onipotente.

Para 2017 decidi que, desculpe o uso da palavra, foda-se. Quero que as coisas evoluam naturalmente – meus relacionamentos, carreira e meu apetite por carboidratos. Nada vai ser resolvido num piscar de olhos e eu estou tranquilo com isso. Sem a pressão de “ter tudo resolvido” – o que será, será. E agora mal posso esperar para o próximo jantar cheio de vícios calóricos, pessoas ecléticas e, principalmente, não resolutas.

 

Fabricio Greca Brun

Fabricio Greca Brun

Com apenas 23 anos, Fabrício já rodou mais de 30 países em 1 ano que passou na Europa. Amante de viagens e cinéfilo de carteirinha já cursou desde Engenharia Civil até cinema. Após morar esse tempo fora escreveu dois diários de viagens que incluem histórias, desenhos e mensagens de pessoas que o cruzaram em sua jornada. Quando pode, gosta de dar dicas a seus amigos, e quem mais quiser, sobre viagens, música e filmes.

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