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EXPEDIÇÃO FOTOGRÁFICA NO PANTANAL

Thais Zago Thais Zago 23 setembro, 2016
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A fotografia pode te levar para locais incríveis, criar experiências de vida singulares e inesquecíveis e fazer você conhecer pessoas que vão agregar valor à sua vida. As viagens também. Isso nos faz perceber que o melhor investimento que podemos fazer não é em bens materiais, mas em experiências significativas. É muito fácil esquecermos algo que compramos por impulso, mas vivências pessoais importantes não. E que tal unirmos essas duas grandes paixões? Viajar para fotografar.

Zig Koch sabe muito bem fazer isso. Especializado em fotografia de natureza, conhece bem os destinos e planeja as atividades conforme o potencial da região. Os roteiros fogem do convencional e são inteiramente planejados para atender as demandas fotográficas. Isso significa que cada atividade é planejada com base na luz, no movimento turístico, no clima da região e no desafio fotográfico da vez – capturar a fauna e a flora, o céu noturno ou o amanhecer, por exemplo. A boa notícia é que ele é um dos novos colaboradores do nosso blog e também Guru AdoroViajar! Sua próxima aventura será levar um grupo para uma Expedição Fotográfica de 7 dias no Pantanal, com saída marcada para 31 de outubro, onde o principal objetivo será fotografar um admirado, mas temido predador: a onça-pintada.

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Expedição Fotográfica no Pantanal

Em uma de suas idas ao Pantanal, Zig foi contemplado com um momento único, que resultou na fotografia que é capa desse post. Ele estava no local certo, na hora certa, com o equipamento montado, e atento. Fez valer a oportunidade e as horas de espera no rio. Saiba mais sobre a história dessa foto:

Grandes predadores sempre nos fascinaram. Talvez essa admiração venha do tempo em que morávamos em cavernas e dependíamos basicamente da coleta e caça para sobrevivência. Provavelmente esta mesma admiração estimule os fotógrafos de natureza a procurar registrar estes magníficos mamíferos em ação. Os predadores se movem lentamente a procura de suas prezas e ficam boa parte do tempo descansando ou dormindo. Ter a sorte de presenciar um momento de ação é raro, difícil de ver por serem momentos muito rápidos e dependem da coincidência do encontro entre o caçador e a caça. Este encontro pode ser em qualquer lugar, tornando esta busca ainda mais difícil.

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No Brasil o maior predador e um dos mais temidos e admirados é a onça-pintada (Panthera onca), também chamada de pintada ou simplesmente onça. Ver uma onça em ação, portanto, depende muito da sorte, é estar no lugar certo na hora certa. Já para fotografar, além da sorte de estar no lugar certo e na hora certa, depende também de estar com o equipamento certo, regulado adequadamente e conseguir acompanhar o movimento nos segundos da ação da caçada.

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Para esta foto, foram muitas coincidências e muita sorte também. Fui ao pantanal para fotografar onças e passei vários dias atrás destes belos mamíferos. Consegui centenas fotos muito boas delas em várias situações: procurando sua caça, descansando, bocejando, caminhando, em casal, na praia do rio, mas somente três fotos boas dela em ação, entre elas esta publicada como capa do post.

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Especificações técnicas: câmera Nikon D300s e lente Nikon 200-400mm f4.0.

Bem, vocês devem estar se perguntando: e a capivara, foi o almoço da onça? Para a sorte da capivara, o maior roedor da Terra, a onça teve que procurar outra refeição. A capivara viu a onça antes e saiu correndo. Foi o momento para eu fazer a foto. Pelo ângulo da onça dá para perceber que ela estava fazendo uma curva para alcançar a capivara. Não deu tempo para a onça. A capivara saiu com vida, a onça com fome e eu com a foto, que recebeu o prêmio do Museu de História Natural de Londres em 2013.

Incrível relato, não? Essa imagem é a prova de que a fotografia de natureza é um trabalho de paciência, e que vale a pena esperar para um clique como esse! Conheça um pouco mais sobre Zig Koch em entrevista exclusiva que ele deu para o nosso blog! 

AdoroViajar: O que veio antes, a paixão pela natureza ou pela fotografia? Fale um pouco sobre essas paixões.

Desde a minha adolescência lia o que aparecia sobre assuntos de meio ambiente e tive curiosidade de entender como o Planeta funciona. Tive a sorte de nascer em uma família que tinha certas preocupações e comportamentos diferenciados para a época. Frequentei a Serra do Mar desde criança, primeiro com meus pais, depois com montanhistas e ambientalistas com quem fiz sólidas amizades. Com 16 anos, tive a chance de adquirir uma câmera Pentax SP500, minha primeira câmera de verdade. Aí não parei mais de fotografar. Levava a câmera nas minhas viagens e estudava fotografia por meio de livros e fotógrafos amigos. Montei um laboratório preto e branco para me aprofundar na fotografia. Era um autodidata, pois na época não havia cursos como hoje. Me formei arquiteto e exerci por quatro anos a profissão, mas a paixão por fotografia, viagens e meio ambiente foi maior e acabei optando em definitivo pela fotografia  em 1986.

Estrelas na pousada em Poconé, no Pantanal

Estrelas na pousada em Poconé, no Pantanal

Dei minhas primeiras aulas de fotografia em 1980 e de lá para cá tenho promovido cursos em vários locais do Brasil. Desenvolvi roteiros em locais especiais no Brasil e na América do Sul que chamo de Vivência Fotográfica, onde os participantes tem a chance de viajar com pessoas interessadas em fotografar, estar nos melhores locais e no melhor horário para fotos. O mais importante nestas vivências é que todos têm o mesmo interesse e a troca de experiências é grande, intensa e divertida. Continuo estudando fotografia nesta era digital, que abriu novas possibilidades antes impensáveis e os assuntos de meio ambiente continuam presentes na minha vida.

Arara azul grande

Arara azul grande

AdoroViajar: Qual a relação entre a fotografia e a conservação da natureza?

A imagem sempre foi muito forte no desenvolvimento humano. Prova disto está nas figuras rupestres, desenhos pré-históricos encontrados em vários locais no mundo. Acredito que hoje em dia qualquer pessoa mais esclarecida assinaria um abaixo assinado contra a caça de baleias ou o consumo de marfim, em iniciativas de acabar com esta prática inconcebível nos dias atuais. Isso por uma única razão: as pessoas se sensibilizam com imagens. Muito provavelmente uma pequena parcela das pessoas que assinaria o fim da caça das baleias viu ou mesmo verá pessoalmente uma baleia de verdade, mas com certeza já assistiu filmes e viu fotografais que a deixaram sensibilizada. Isto vale para outros fins, como criar desejos de conhecer um local, uma pessoa, ou mesmo consumir determinados produtos. Somos seres muito visuais e a fotografia está cada vez mais presente nas nossas vidas.

Vivência Fotográfica no Pantanal

Vivência Fotográfica no Pantanal

AdoroViajar: Qual foi a sua maior aventura em uma expedição?

Difícil selecionar, mas acredito que foi uma expedição onde subi o rio Jarí no Parque Nacional das Montanhas do Tumucumaque no Amapá. Foi uma grande expedição promovida por vários órgãos ambientais, entre eles o IBAMA, e financiado pelo projeto ARPA (Áreas Protegidas da Amazônia) com o principal doador o WWF-Brasil. Foi a primeira experiência onde os índios colaboraram na fiscalização de um Parque Nacional. O parque faz divisa com a área dos índios Waiãpi e eles avisam via rádio qualquer atitude suspeita no parque. Foram algumas semanas subindo o rio, que é cheio de corredeiras traiçoeiras. Eram vários barcos, alguns de madeira chamados de batelões para carga. No final de cada dia eu passava as fotografias via satélite e o Cláudio Maretti, atual superintendente do ICMBio, escrevia os textos como um diário de bordo. No dia seguinte estava tudo publicado no site do WWF-Brasil. Caso acontecesse alguma coisa com a equipe, levaria vários dias para termos um resgate. Com certeza foi o local mais remoto que já estive e uma aventura inesquecível. Quem tiver curiosidade de saber mais sobre essa aventura pode acessar o site da WWF-Brasil.

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Thais Zago

Thais Zago

Thaís já passou dos 30 anos. Prefere praia à cidade e sossego à badalação. Tem formação em Jornalismo e profissionalizante em Yoga, pós-graduação em Gestão de Negócios e trabalha com Turismo e Mídias Sociais desde 2012. Na bagagem, participou do programa de férias na Walt Disney World Orlando, morou na Califórnia por 1 ano e passou 6 meses mochilando sozinha pela Oceania, China e Sudeste Asiático. É uma das integrantes do projeto Correndo no Mundo, em que percorreu de bicicleta os 800 km do Caminho de Santiago de Compostela, em 15 dias, documentando a aventura e prestando suporte ao amigo que corria. Depois de carregar "a casa nas costas" com essas experiências, aprendeu que menos é mais e que viajar sozinha é bom, mas compartilhar os momentos com outras pessoas é ainda melhor. Adora viajar pelo Brasil, é esportista e aventureira, e pára tudo para assistir um pôr do sol. Sempre que pode, se envolve também com música, fotografia e cinema.

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