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CONHEÇA CURITIBA SEM PRECISAR ANDAR NUM ÔNIBUS VERDE

Fabricio Greca Brun Fabricio Greca Brun 6 dezembro, 2016
cover-curtiiba

Ao invés de escrever sobre lugares tão distantes, paradisíacos e caros em que sonhamos ir um dia para tirar uma foto e colocar no Instagram, por que não falar de uma cidade aqui pertinho que dispõem muito mais do que pessoas super simpáticas e um clima tropical?

Se você pensou no eixo Rio-São Paulo ou Nordeste, talvez não saiba muito bem o que é ironia, mas não, estou falando da mais underated das capitais do Sul, Curitiba! Embora a mídia pareça uma ex-namorada que só vê seus defeitos, não precisamos ficar a mercê dela, já que existem coisas boas para se ver aqui também – muito mais que vários dos seus destinos internacionais de verão, eu garanto.

Com uma caralhada de imigrantes de todas as partes do mundo, especialmente italianos, Curitiba é uma salada de frutas e isto pode ser evidenciado em qualquer pessoa que tenha mais de um sobrenome. E dentre todas essas nacionalidades, uma se destaca em nossa culinária, a japonesa. Mas esqueça o seu conceito de restaurantes que vendem aquele salmão estranhamente laranja demais. Essa cultura milenar tem mais a oferecer, e, caso você busque algo novo e diferente, o boteco japonês Izakaya Hyotan é o lugar certo. Com o cardápio pregado em tábuas de madeira em cima do balcão – que serve de rã até língua, esse restaurante comporta um pouco mais de 10 pessoas, então chegue cedo, mas saia tarde, os drinks são memoráveis!!

izakaya

Muita gente não sabe, mas todo curitibano tem mestrado, doutorado e Phd em meteorologia. Não é fácil escolher a roupa numa cidade que tem 8 estações numa tarde, e não pense que “calor” e “sol” estão inclusos nessa lista – essas palavras foram extintas junto com o latim. E de que outra forma o homem lida com frio, chuva e tempos nublados? Isso mesmo, com o bom e velho álcool! Apesar de todo mundo associar esse tipo de clima com vinho, curitibanos gostam mesmo é de cerveja e isso pode ser visto nas milhares de micro cervejarias que existem por aqui. Caso você não tenha uma caverna de pedra em casa com a temperatura e umidade perfeitas para se fazer uma cerveja artesanal, não tem problema! Saia de casa e vá até o Hacienda Café, que além de servir essa bebida milenar, também conta com uma atmosfera, atendimento e decorações ímpares. Sente na parte exterior, peça a cerveja curitibana Diabólica e fale mal do clima.

hacienda

Outra fama que Curitiba tem (e essa é boa) é sua conscientização ambiental. Comparada com outras capitais, ela é visivelmente mais limpa e organizada, com muitas ruas arborizadas e parques e, mesmo assim, as pessoas continuam gastando dinheiro para patinar no gelo em shoppings nos finais de semana. Para fugir dessa vertente do povão e ver algo que é realmente natural daqui, o Bosque Zaninelli da Unilivre irá te ajudar a ver porque Curitiba é a cidade mais verde da América Latina. Sem fins lucrativos, essa sociedade possui uma extensa área com uma densa mata, várias espécies de animais e uma sede  feita de eucalipto com uma linda vista para o bosque – e você ainda quer ficar enclausurado, subindo e descendo escadas rolantes?

Ok, ok… não vou ser hipócrita, todos vamos ao shopping de vez em quando, mas se você não for comprar algo numa promoção de feriado ou ir ao cinema, está gastando seu tempo. E para te ajudar nesse último item, que tal dar uma variada das salas com poltronas melhores que sua cama e sons que te deixam surdo para algo mais nostálgico? Assentos vermelhos de veludo, aquele chão grudento e projeções não digitais (que provocam aquelas “bolas” pretas no meio do filme), são algumas peculiaridades que irão te levar de volta ao passado no Cineplex Batel, mais conhecido como o cinema do shopping Novo Batel. Além de deixar filmes por mais tempo em cartaz, as salas não ficam cheias de adolescentes e crianças barulhentas e o ingresso não custa um rim, win win.

Para finalizar o nosso tour por essa capital, vamos ao que interessa: vida noturna. Confesso que há certa carência por aqui e cada vez mais os curitibanos recorrem a festas em casa ou lugares só para convidados (o que na minha opinião é muito melhor). Mas existem sim baladas e casas noturnas, cada qual com seu nicho, e se o seu for um lugar que toque música boa (jazz), com espaço para respirar e uma atmosfera descontraída, não perca seu tempo e vá ao Dizzy Café Concerto. Chame do que quiser – lounge, bar, café, restaurante ou simplesmente um lugar para passar a noite, tomar um drink e se perder no delicioso caos do jazz.

dizzy

Eu tenho uma teoria que é mais ou menos assim: quando eu conheço alguém de outra cidade, faço questão de ser super gentil e extrovertido, porque quando você fala que é de Curitiba a pessoa já automaticamente lembra da nossa infame fama de sermos frios e grossos. E é aí que entra o pulo do gato – as expectativas são baixas e ser o oposto do que regue nosso roteiro faz com que você se destaque. Entendeu? Se sim, comece a ser mais assim para acabarmos de uma vez com essa teoria, se não, continue apertando o botão para fechar o elevador mesmo quando você vê alguém vindo, não vejo muito problema nisso.

 

 

Fabricio Greca Brun

Fabricio Greca Brun

Com apenas 23 anos, Fabrício já rodou mais de 30 países em 1 ano que passou na Europa. Amante de viagens e cinéfilo de carteirinha já cursou desde Engenharia Civil até cinema. Após morar esse tempo fora escreveu dois diários de viagens que incluem histórias, desenhos e mensagens de pessoas que o cruzaram em sua jornada. Quando pode, gosta de dar dicas a seus amigos, e quem mais quiser, sobre viagens, música e filmes.

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