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ROTEIRO PELOS ENCANTOS DO MARROCOS

Débora Spanhol Débora Spanhol 14 outubro, 2016
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Em setembro, meus pais vieram me visitar em Milão e decidimos ir para o Marrocos, pois sempre tive curiosidade em conhecer a cultura marroquina. Escolhemos o destino de última hora e não tive a oportunidade de pesquisar muito antes da viagem. 

Pelo pouco que pesquisei, descobri que na parte nova de Marrakech ficam os melhores hotéis, nível 10 estrelas, passei por alguns e realmente era coisa de cinema! Li também que se eu quisesse conhecer a fundo a cultura do país, deveria ficar na Medina Antiga, o que seria muito mais barato. Então não pensei duas vezes e escolhi a Medina Antiga. Hoje, depois de ir pra lá, digo que você pode estar na Medina Nova e conhecer muito bem a cultura, sem necessidade de estar na Medina Velha, principalmente se você estiver com seus pais =).

Nosso hotel ficava na Medina Antiga, num local que não entra carro. Quando chegamos, as 02:00 da madrugada, pegamos o final do final da vida noturna de Marrakech e andamos muito com as malas até o hotel. Tudo lá é muito antigo e tem muitos cheiros, bons e ruins. Tínhamos pouco tempo, apenas 4 noites, e eu queria conhecer Marrakech e dormir uma noite no deserto de Merzouga.

O deserto de Merzouga é o mais distante de Marrakech (8 horas e meia de carro), porém vale a pena, pois o outro tem dunas pequenas que nem parecem dunas, e o deserto é super pequeno. Conheci um casal de portugueses no aeroporto e eles me contaram que se decepcionaram muito com o deserto (eles não foram para o de Merzouga), e que querem voltar ao Marrocos só para ir no Merzouga.

A viagem ao deserto começou no dia seguinte, partimos as 9:00 da manhã e optamos por não fazer tudo em um dia, preferimos ir parando e conhecendo os lugares pelo caminho.

Passamos por Ait-ben-haddou, uma cidade minúscula fortificada, onde toda sua população mudou para o outro lado do rio, e desde então o lugar foi palco de vários filmes, como “Lawrence da Arábia”, “A Múmia”, “Gladiador”, “Alexandre”, “O Príncipe da Pérsia”, e muitos outros.

Passamos também por várias cidadezinhas do interior, onde deu para conhecer a cultura marroquina a fundo! Os açougues com as peças de carne pendurados na rua, totalmente fora do gelo, gelo só de noite, no calor de 40 graus, (isso me fez não comer carne vermelha lá), o caos do trânsito, a mistura na rua de pessoas, jegues e carros antigos, mulheres lavando roupas no rio, mulheres carregando feno para os animais. Tudo isso foi incrível de conhecer!

Passamos por vários lugares com vistas incríveis, desde montanhas, casinhas, natureza, tudo nesse meio do caminho. Dormimos num hotel numa cidade minúscula, o jantar era super gostoso.

A comida do Marrocos em geral não tem tanto sal como a nossa, mas tem muitas especiarias, e eu amei! Os pratos variam entre cuscuz, batata, frango e arroz, e tem muita sopa, na sobremesa sempre tem frutas.

E é normal no meio da viagem lhe oferecerem chá, um chá fervendo, para o calor de 40 graus, eu não entendia o porque daquilo, até que me explicaram que o chá hidrata bastante, por isso tomam tanto.

Após o jantar, o nosso motorista preparou um narguilé e fiquei fumando com ele e seus amigos no terraço do hotel, em um breu que só dava para ver a chama do narguilé e as estrelas. E que estrelas, o céu mais iluminado que já vi na vida, era possível ver a via láctea, era incrível!

Nessa hora conversamos bastante, eles me contaram muito sobre a cultura marroquina e eu sobre a brasileira. Nossa, é muito diferente, eles me diziam “outro mundo” e eu pensava o mesmo sobre tudo que me contavam.

No dia seguinte acordamos cedo e continuamos a viagem, de novo parando em lugares incríveis, com vistas maravilhosas, e conhecendo os costumes deles.

Comi cactos! Sim, cactos, não sabia que dava para comer, pois dá! E é maravilhoso, é uma fruta super doce! Paramos numa cidadezinha para fazer compras, e socorrooo, os lenços. Os moroccanoil. As porcelanas, as chaleiras. Nesse lugar onde fizemos compras, uma menininha perguntou se poderia tatuar minha mão. Falei que sim. Me senti tão marroquina tatuada, sempre achei lindas essas tatuagens, hahaha.

Passamos pelas gargantas de Todra e Dades. E finalmente chegamos no deserto, ou melhor, no hotel do pé do deserto. Era cedo, 16:00, então deixamos as malas no quarto e corremos para a piscina, pois era tentadora com aquele calor. Depois tomamos um banho e fizemos as malas para o deserto.

O nosso hotel era literalmente no pé do deserto, o mais próximo, saímos na frente dele e já estavam lá os dromedários nos esperando. Para chegar ao acampamento, tivemos que andar 1h30 de dromedário (tem a opção de ir de carro). O caminho era inacreditável, o contraste do azul nas dunas laranjas era demais, no caminho paramos para ver o sol se pôr nas dunas, e depois continuamos no escuro até o acampamento.

Chegamos lá e era mágico, as barracas de tapete, colchão no chão (vale lembrar que tem acampamentos com cama também). Eu estava ansiosa, pois me falaram que teria uma festa de noite.

Fomos recebidos com o chá na área social do acampamento, um lugar com almofadas e tapetes, e velas/lampião iluminando. Logo depois veio o jantar – que foi o preferido da viagem, estava muito gostoso! E então partimos para a festa no acampamento vizinho, onde tinha uma excursão de chinesas, já que no nosso só estavam eu, meus pais e um casal de marroquinos do norte.

A festa é embalada pela cultura africana, muitos batuques e aquela energia que os africanos tem. Foi incrível, eles colocaram todo mundo para dançar, não importava a idade, todos dançaram. E se divertiram muito!! A festa não durou muito, pra minha tristeza. Quando acabou, fomos até um lugar super escuro no deserto para poder ver as estrelas, e novamente aquele céu inacreditável. Deitei na areia, e fiquei olhando por um tempo, era muito mágico!!!

Na volta, fiquei conversando um pouco com o pessoal do acampamento e um deles me contou que era de família nômade e eles estavam morando ali no deserto, tinham montado uma casa perto do acampamento, e mais uma vez pude conhecer um pouco mais da cultura deles nesse bate-papo.

No dia seguinte acordamos, cedo, as 5:30 da manhã! Esse é um dos motivos que a festa acabou cedo, pois todos querem ver o sol nascer. Pegamos o dromedário e fomos em direção ao hotel, no meio do caminho paramos para ver o sol nascer, lindo!

Chegamos no hotel, tomamos um banho, pegamos as coisas e partimos para Marrakech, dessa vez diretão. Mas como estávamos muito cansados da aventura do dia anterior, nem ligamos. Mesmo assim, fizemos duas paradas incríveis no caminho, uma delas foi na maior plantação de palmeira do Marrocos.

Maravilhooooso!! Chegamos em Marrakech, deixamos as coisas no hotel, e fomos jantar com o casal de portugueses que havíamos conhecido. Jantamos e saímos para dar uma volta pela praça, onde é possível encontrar animador de serpente, macaquinhos, lutadores de box. E uma mistura de cheiros absurda, tem várias barraquinhas de comida de rua. Eu comeria ali, mas meus pais preferiram não arriscar e comer em um restaurante.

Depois andamos pelo comércio ali pechinchando tudo, eles baixam mais do que 70% do valor, e vale a pena andar, porque quanto mais você se afasta da praça, mais baratos são os preços, e mais você pode negociar.

Por fim voltamos para o hotel, dormimos e de madrugada pegamos nosso voo para Milão. Essa foi a viagem mais incrível da vida, foram apenas 4 dias, porém intensos, quem puder fazer mais dias – tipo 6 ou 7, acho que seria perfeito!

Mais fotos desta e de outras viagens estão no meu instagram:

A minha viagem para o Marrocos vai estar disponivel no @adoro.viajar em breve! 👀

A photo posted by Debora Spanhol Ivankio (@deboraspanhol) on

 

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